Ser mulher no meio de uma pandemia

Nós mulheres, carregamos há tempos, um acúmulo de papéis que demandam nosso tempo e dedicação. Conciliar a vida profissional e a maternidade sempre foi um enorme desafio. O problema que já estava escancarado, pois já estamos mais do que cientes que o mercado de trabalho não dá condições igualitárias a homens e mulheres, além das mulheres terem cerca do dobro de funções domésticas que os homens, agora está massacrando a todas nós. O desafio de conciliar os diversos papéis se torna ainda maior, pois foi potencializado pela quarentena, que vem de forma avassaladora tirar a nossa rede de apoio (avós, escolas, funcionários domésticos) e nos sobrecarregar ainda mais absorvendo demandas que não tínhamos antes do isolamento social, como de acompanhar as aulas online dos nossos filhos, por exemplo. Além disso, há toda uma preocupação com a questão da saúde da nossa família, cuidados para evitarmos o contágio de Covid-19 e a própria crise financeira para mantermos a nós e a nossa família.


A nossa vida está mais do que nunca na obrigação, no dever, no famoso “eu tenho que…” Isso tudo gera muita angústia, medo e culpa, por tudo aquilo que não conseguimos dar conta, ou por nos exigirmos uma excelência humanamente impossível de ser alcançada. Não há espaço para descanso, lazer e prazer. Esse excesso de cobranças, preocupações, medos, julgamentos, críticas e a falta apoio, acolhimento e esperança de que dias melhores virão, estão nos deixando mais ansiosas e deprimidas. Ou seja, é necessário sim, falarmos de saúde mental da mulher na pandemia.

Diante desse caos instalado, sem previsão de término, o que fazer para termos qualidade de vida, mantermos o equilíbrio e saúde mental? Creio que olhar para dentro de si, já seja um enorme passo. O que está mais pesado? O que está mais difícil? Mais do que nunca a importância do autoconhecimento, para entendermos qual é o nosso limite e o que de fato está nos massacrando, para podermos nortear as nossas ações. Buscar por apoio, dentro da nossa própria casa é fundamental. Todos (incluindo maridos e crianças) precisam se responsabilizar pelas tarefas domésticas, se cada um fizer um pouco, ninguém fica sobrecarregado. Priorizar, o que de fato é importante, significa abrir mão daquilo que não é essencial. Por exemplo, se o seu trabalho é o que garante o sustento da casa, as tarefas domésticas ficarão para segundo plano, ou melhor, precisarão ser organizadas dentro de uma nova rotina. Reorganizarmos a nossa rotina, horário de trabalho, horário de atividades escolares, dias para comprar e higienizar alimentos, horário da faxina e de preparo das refeições, além, é claro, de deixarmos um momento para nosso descanso, lazer e prazer. Nem que seja, assistir algo na televisão, tomar um banho demorado, ou até mesmo cuidados de beleza com o corpo e o cabelo. Uma excelente opção é iniciarmos um processo terapêutico, tirarmos um tempo para si, buscarmos o autoconhecimento e refletirmos sobre mudanças importantes, além de se sentirmos amparadas, acolhidas e apoiadas num momento de tantas adversidades, pode ser uma excelente forma de desenvolvermos resiliência e nos mantermos saudáveis mentalmente. É de fato um momento muito desafiador, sem sombra de dúvidas, mas com amparo, acolhimento e apoio fica um pouco mais leve para darmos conta dentro das possibilidades de cada mulher.

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